quinta-feira, 29 de outubro de 2015

ENTENDENDO UMA COTAÇÃO DE FRETE INTERNACIONAL...


Por vezes nos deparamos com situações que ferem nossas expectativas...e na importação, isso acontece com certa frequência.

Carol, o que você quer dizer com isso?

Quero dizer que muitas vezes esperamos apenas uma resposta simples e objetiva, e recebemos de volta um problema matemático para resolver.

É o caso da Cotação de Frete Internacional que irei contar no post de hoje.

A área de importação no Brasil é um dos setores que mais exige múltiplos conhecimentos. Digo isso porque, para entender todo o processo é necessário ter conhecimento de:

  • Direito – para entender a legislação aduaneira e sua aplicabilidade;
  • Inglês – para poder negociar com os fornecedores; interagir com os prestadores de serviço e responder e-mails ou telefonemas para estes.
  • Contabilidade – para poder efetuar os devidos lançamentos contábeis dos impostos, taxas e despesas aduaneiras;
  • Logística – para poder entender toda a cadeia da operação, as modalidades de transporte, compras, estoque, armazenagem, etc.
  • Informática – para ter conhecimento de como utilizar os sistemas integrados ao comércio exterior, principalmente para saber como solucionar problemas! (rs);

E por fim...

  • Matemática! – para poder entender e calcular todos os impostos, taxas, fretes, armazenagens, despesas, etc.


E essa matemática, somada ao inglês, que irá entrar justamente no cálculo e entendimento do Frete Internacional que é o foco do nosso post de hoje.

Geralmente, quando solicitamos uma cotação de frete aéreo ou marítimo a um agente de carga, ela vem descrita da seguinte maneira:


Exemplo de Cotação de Frete Marítimo



POL.: FOB Hamburg

POD.: Santos – via Antwerp

Comm.: general cargo – no hazardous

TT.: 20 dias aprox. - semanal


Rate OFR EUR 35,00 wm – min EUR 35,00


Taxas locais de origem.:

- LCL fee = USD 80,00 per shipment
- STP Port charges = USD 40,00 w/m, min. USD 40
- Transhipment charges = USD 35,00 per ton
- Docs = USD 115,00 BL
- Storage at CFS = USD 6,00 w/m per day


Taxas locais de destino.:

- BL USD 30,00/BL
- Desconsolidação.: ISD 30,00/BL
- Capatazias.: BRL 30,00 wm – min BRL 30,00



Validade.: 31/10/15


Entenderam a cotação?

Para quem é da área, e está habituado a receber cotações de frete, é moleza!

Mas para aqueles que não têm essa prática, ou que não estão tão acostumados a lidar com cotações de frete, mais parece um problema de matemática em inglês, não acham?! (rs).

Pois então proponho a resolução deste problema agora!

Primeiro vamos entender o que está descrito na cotação, e depois podemos fazer os cálculos para achar o valor do frete total a ser cobrado do importador.

Então, vamos lá!


Entendendo os conceitos...


POL.: FOB Hamburg


POD.: Santos (via Antwerp)


Comm.: general cargo – no hazardous




TT.: 20 dias aprox. - semanal



Rate OFR EUR 35,00 wm – min EUR 35,00







Taxas locais de origem.:

- LCL fee = USD 80,00 per shipment


- STP Port charges = USD 40,00 w/m, min. USD 40


- Transhipment charges = USD 35,00 per ton


- Docs = USD 115,00 BL


- Storage at CFS = USD 6,00 w/m per day




Taxas locais de destino (Santos):

- BL fee.= USD 30,00/BL


- Desconsolidação.: USD 30,00/BL



- Capatazias.: BRL 30,00 wm – min BRL 30,00



Validade.: 31/10/15

Port of Loading = Porto de Embarque
Local Hamburgo - Incoterm FOB.

Port of Discharge = Porto de Desembarque
Santos – passa pelo porto da Antuérpia.

Comm. = Commodity = Mercadoria
General cargo – no hazardous = Carga Geral – Não perigosa


Transit Time = Tempo de Trânsito
20 dias, com saídas semanais de navio


Rate of Ocean Freight = Taxa do Frete Marítimo

EUR 35,00 wm – min EUR 35,00 = 35 euros por peso (w) ou metragem cúbica (m3), o que for maior, com mínimo de EUR 35,00.


Taxas locais de origem.:

- Taxa para Carga Solta = USD 80,00 por embarque

- Taxa de Movimentação em Área alfandegada = USD 40,00 w/m (peso ou metragem), com mínimo de USD 40

- Taxa de Transbordo = USD 35,00 por tonelada


- Taxa de Documentação = USD 115,00 por BL

- Armazenagem no Porto (Container Freight Station) = USD 6,00, por peso ou metragem, por dia.


Taxas locais de destino (Santos):

- Taxa de liberação do BL junto ao embarcador = USD 30,00 por BL

- Taxa de Desconsolidação (separa cada house (HBL) do Master (MBL) de acordo com o consignatário da carga = USD 30,00 por BL

- Capatazias = R$ 30,00 por peso ou metragem - com mínimo de R$ 30,00


Validade da Proposta.: 31/10/15


Fazendo os cálculos...

Considerando uma carga solta com:
Peso: 2.000 Kg = 2 Toneladas
Metragem: 6m3 (ver como calcular neste post aqui)


Porto de Embarque: Hamburgo.

Porto de Desembarque: Santos

Mercadoria: Carga Geral – Não perigosa

Tempo de Trânsito: 20 dias


Taxa do Frete Marítimo: EUR 35,00 por peso (w) ou metragem cúbica (m3), o que for maior, com mínimo de EUR 35,00.

6 (m3)  x 35 (taxa) = EUR 210

Frete Marítimo = EUR 210


Taxas locais de origem (Hamburgo):

- Taxa para Carga Solta = USD 80,00 por embarque

Taxa para carga solta = USD 80,00 (um embarque)

- Taxa de Movimentação em Área alfandegada = USD 40,00 w/m (peso ou metragem o que for maior), com mínimo de USD 40

6 (m3) x USD 40,00 = USD 240,00
Taxa de movimentação = USD 240,00


- Taxa de Transbordo = USD 35,00 por tonelada

2 (ton.) x USD 35,00 = USD 70,00
Taxa de transbordo = USD 70,00


- Taxa de Documentação = USD 115,00 por BL

Taxa de Documentação = USD 115,00 (um BL)


- Armazenagem no Porto (Container Freight Station) = USD 6,00, por peso ou metragem o que for maior, por dia.

6 (m3) x USD 6,00 x 5 dias* = USD 180,00
Armazenagem no Porto = USD 180,00

*Digamos, por exemplo, que o navio atrasou e a carga ficou parada aguardando o próximo navio durante 5 dias.


Taxas locais de destino (Santos):

Taxa de liberação do BL junto ao embarcador = USD 30,00 por BL

Taxa de Liberação do BL= USD 30,00 (um BL)


Taxa de Desconsolidação (separa cada house (HBL) do Master (MBL)de acordo com o consignatário da carga = USD 30,00 por BL

Taxa de Desconsolidação = USD 30,00 (um BL)

Capatazias = R$ 30,00 por peso ou metragem - com mínimo de R$ 30,00

 6 (m3) x R$ 30,00 = R$ 180,00
Capatazia = R$ 180,00


Sendo assim, resta agora somarmos todos os valores para chegarmos no total do valor do frete.

EUR 210 +USD 80 + USD 240 + USD 70 + USD 115 + USD 180 + USD 30 + R$ 180.

Convertendo essas moedas na taxa do dia do pagamento (digamos que foi dia 27/10/2015), teríamos:

EUR 210 x 4,3023 +USD 80 x 3,8988 + USD 240 x 3,8988  + USD 70 x 3,8988  + USD 115 x 3,8988  + USD 180 x 3,8988  + USD 30 x 3,8988  + R$ 180.


R$ 903,48+R$ 311,90+ R$ 935,71 + R$ 272,92 + R$ 448,36 + R$ 701,78 + R$ 116,96 + R$ 180,00

FRETE TOTAL = R$ 3.871,11



*Todos os valores apresentados são apenas exemplificativos.

DICA!




Estes cálculos são muito trabalhosos, não acham?

Como citei acima, alguns agentes de carga oferecem o valor ALL IN, o que facilita o cálculo, porém, em alguns casos dificulta a comparação com outras cotações, uma vez que você não tem os parâmetros de cálculo de cada taxa. 

Também, em casos que existe muita variação de peso e metragem é melhor a cotação detalhada (mais trabalhosa), uma vez que as taxas e o frete estão “abertos” e podemos utilizar a cotação original mesmo com mudança de peso ou metragem.

Aproveitando que estamos traduzindo e explicando alguns conceitos de taxas de frete, trago abaixo para vocês outras siglas de taxas que podem vir a aparecer em suas cotações de frete marítimo, vejam:


SIGLAS E ABREVIAÇÕES

BAS - Base Rate – Frete Básico. 

CUC - Chassis Using Charge – Uso de Chassi (uma espécie de trailer utilizado para transporte de contêiner sobre roda) para a Movimentação de Contêineres.

DDF - Documentation Fee (Destination) - Taxa de Documentação - Destino - Para criação e processamento dos documentos de transporte.

DOCS - Documentation Fee - Taxa de Documentação para o regsitro dos documentos.

EMF - Equipment Management Fee – Taxa de Gerenciamento de Equipamentos, para serviços extras que estejam relacionados a equipamentos, poe exemplo: entrega de lacres de contêiner de alta segurança. 

ERS - Emergency Risk Surcharge – Sobretaxa de Risco Emergencial, são custos adicionais assumidas pela operadora de transporte ao transportar cargas em regiões perigosas, incluindo aquelas que estão ameaçadas por riscos de segurança, violência ou atividade de pirataria. 
A taxa cobre custos com combustível naval extra (devido a maiores extensões percorridas e/ou a navegação em velocidade mais rápida), cobertura de seguro e medidas de segurança adicionais. 

IHE - Export Inland Haulage – Serviço de fornecimento de transporte de exportação terrestre a partir das instalações do cliente até o porto de carregamento. 

ISPS - Fee for the Security in the Port - Taxa que visa pela segurança de navios e instalações portuárias.

ODF - Documentation Fee - Origin - Taxa de Documentação - Origem - Para criação e processamento de todos os documentos de transporte padrão.

OHC - Handling Charge - Origin - Taxa de manuseio no Terminal/Porto de origem.

ORC - Origin Receiving Charges - Taxa de Origem, aplicada com maior frequencia pela China. 

OTA - Transport Arbitrary - Origin - Custo por algum incidente no porto de origem.

PAE - Port Additionals / Port Dues - Export - Adicional/Sobretaxa Portuária - Exportação. Despesas Portuárias que são adiantadas pela empresa de transporte, para economizar tempo, e depois faturadas ao importador.

PSI - Port Security Charge - Import - Serviço de Segurança Portuária - Importação - Visa manter a segurança portuária em conformidade com o Código Internacional de Segurança de Instalações Portuárias e Navais (ISPS Code, International Ship and Port Facility Security Code), que é um conjunto abrangente de medidas para aprimorar a segurança dos navios e das instalações portuárias. 

SER - Carrier Security Charge - Taxa cobrada pela transportadora para manutenção da segurança do navio de acordo com o ISPS-Code.


Fontes: 
http://www.maerskline.com/pt-br/help/services-and-fees?d
http://ferture.ee/conventional-international-abbreviations


CONCLUSÃO

No caso de Cotações de Frete Aéreo, não se preocupem, pois o raciocínio é o mesmo. Terá o frete base e as taxas de origem e destino. O que mudará serão apenas as siglas e abreviações das taxas que irão condizer com a modalidade aérea.

Além dos valores que compõem o frete internacional, seja marítimo ou aéreo, é importante também levar em consideração o trajeto da viagem.

Um frete mais econômico pode refletir em um tempo de viagem mais longo, com escala (aéreo) ou transbordo (marítimo), assim como rotas mais concorridas ou menos utilizadas podem impactar no valor do frete.

A análise da cotação do frete deve ser feita não apenas em termos financeiros, mas também com relação a prazo, trajeto, seguro e garantias.


Finalizo nosso post de hoje por aqui...e até a próxima!





quarta-feira, 7 de outubro de 2015

É POSSÍVEL REDUZIR ALGUNS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO - PARTE 2

Olá!

Hoje vou dar sequência no assunto do último post sobre as possíveis reduções de custos na importação.

Inicio esta PARTE 2 já no item 3, pois foi onde paramos no post anterior (PARTE 1). E como combinado, ao final deste último item, farei minhas considerações finais.

Vou inserir novamente a figura do post anterior para vocês poderem acompanhar a indicação do número.




DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO




REGISTRO DA DI – DÁ PARA ESCOLHER O DIA DE REGISTRO DA DI? 

SIM!

A partir do momento que a mercadoria importada fica disponível no sistema ou como falamos na prática recebe a “presença de carga” é possível registrar a DI.

Não é obrigatório que o registro da DI seja efetuado no mesmo dia da disponibilização da carga no sistema.

Quem irá decidir pela data de registro da DI é o próprio importador, de acordo com seu fluxo de caixadisponibilidades financeiras e até mesmo, para aqueles que entendem de mercado, com relação às variações cambiais.

Só não pode ultrapassar o prazo de permanência no recinto. Vejam sobre isto neste post aqui.


TAXA DE CONVERSÃO DO CÂMBIO - QUAL A TAXA UTILIZADA? É POSSÍVEL PREVÊ-LA?

O que a gente fala no dia a dia é:

“A taxa de câmbio utilizada para registro da DI é a PTAX de 2 dias úteis anteriores ao do registro da DI.”

Tá legal, é isso mesmo, mas tá escrito aonde? Com base em que falamos isso?

Vamos ver o que diz a norma com relação a taxa de conversão utilizada para registro da DI na importação, segue abaixo:


PORTARIA MF Nº 6, DE 25 DE JANEIRO DE 1999

Dispõe sobre a fixação da taxa de câmbio para efeito de cálculo dos tributos incidentes na importação.

O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 1o do Decreto No 1.707, de 17 de novembro de 1995, resolve:

Art. 1o A taxa de câmbio para efeito de cálculo dos tributos incidentes na importação será fixada com base na cotação diária para venda da respectiva moeda e produzirá efeitos no dia subseqüente.

Art. 2o A taxa de câmbio a que se refere o artigo anterior será obtida mediante acesso ao Sistema de Informações Banco Central - SISBACEN, por meio da transação "PTAX800, opção   05 - Cotações para Contabilidade", e divulgada por intermédio da tabela específica "Taxa de Conversão de Câmbio" do Sistema Integrado do Comércio Exterior - SISCOMEX.


PORTARIA SRF Nº 87, DE 25 DE JANEIRO DE 1999

Dispõe sobre a taxa de câmbio para efeito de cálculo dos tributos incidentes na importação.

O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Portaria MF Nº 06, de 25 de janeiro de 1999, resolve:

Art. 1º A taxa de câmbio utilizada para cálculo dos tributos incidentes na importação, de que trata o art. 1o da Portaria MF No 06, de 1999, será disponibilizadadiariamente, na tabela "Taxa de Conversão de Câmbio" do Sistema Integrado do Comércio Exterior - SISCOMEX, pela Coordenação de Estatísticas Econômico-Tributárias - COEST da Coordenação-Geral de Estudos Econômico-Tributários - COGET.

Parágrafo único. A taxa a que se refere este artigo terá por base a taxa de câmbio para venda da moeda estrangeira, divulgada pelo Sistema de Informações Banco Central - SISBACEN, por meio da transação "PTAX800, opção 05 - Cotações para Contabilidade", no fechamento do dia útil imediatamente anterior àquele em que houver sido disponibilizada no SISCOMEX, e será aplicada ao cálculo dos tributos relativos às declarações de importação registradas no dia subseqüente ao da disponibilização.




Agora vamos ver o significado da Taxa PTAX800, divulgado em um comunicado do Banco Central:



Trocando em miúdos...


Conclusão: A taxa de câmbio utilizada para registro da DI é a Taxa PTAX (venda) de 2 dias úteis anteriores ao do registro da DI, porque o primeiro dia foi o do fechamento, e o segundo é o dia subsequente ao da disponibilização, como informa a norma.

Vejam:











DICA!

Sendo assim, dá para prever a Taxa de Câmbio a ser utilizada no registro da DI!

Então, por exemplo, se hoje fosse dia 23/09/2015, o importador poderia analisar se valeria a pena registrar a DI com dólar a 3,9821, ou se seria melhor esperar o próximo dia (24/09/2015), e a registrar a DI com o dólar a 4,0425. (Neste caso não seria um bom negócio esperar o próximo dia!)

Lembrando que os tributos incidentes na importação são calculados e recolhidos (mediante débito em conta) no dia do REGISTRO DA DI.

Qualquer pessoa pode ter acesso a essas taxas, vejam abaixo onde encontrá-las:

TAXA DE CÂMBIO (BANCO CENTRAL): Através do próprio site do banco central na opção  “Taxas de câmbio”  » “ Cotações e boletins”. Ou acessar este link: http://www4.bcb.gov.br/pec/taxas/port/ptaxnpesq.asp?id=txcotacao

TAXA DE CÂMBIO (SISCOMEX): Basta procurar no site da Receita Federal pelas “Tabelas Aduaneiras” » “ Taxa de Conversão de Câmbio”. Ou acessar este link: https://www35.receita.fazenda.gov.br/tabaduaneiras-web/private/pages/telaInicial.jsf#T




TAXA DE UTILIZAÇÃO DO SISCOMEX – COMO CALCULAR?


taxa de utilização do SISCOMEX, é uma taxa cobrada por cada nova adição que se "abre" na Declaração de Importação (DI). 

Vejam o que diz a Norma:


Taxa Siscomex é devida independentemente da ocorrência de tributo a recolher, sendo debitada em conta-correntejuntamente com os tributos incidentes na importação. A Portaria MF No. 257 de 20 de maio de 2011 reajustou os valores definidos em Lei para os seguintes:

R$ 185,00 (cento e oitenta e cinco reais) por DI;

R$ 29,50 (vinte e nove reais e cinquenta centavos) para cada adição de mercadorias à DI, observados os limites fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).

Limites:    
           
a) até a 2ª adição - R$ 29,50;

b) da 3ª à 5ª - R$ 23,60;

c) da 6ª à 10ª - R$ 17,70;

d) da 11ª à 20ª - R$ 11,80;

e) da 21ª à 50ª - R$ 5,90; e

f) a partir da 51ª - R$ 2,95.





Carol, e como se "abrem" novas adições na DI?

Então, não é apenas por nova mercadoria (NCM) que se acrescentam adições na DI.

Por exemplo, posso importar 2 placas-mãe para computador com as mesmas especificações técnicas, e por consequência com a mesma NCM, e cada uma ser alocada em uma adição diferente da DI.

Por que Carol?

Porque se elas tiverem Fabricantes diferentes, ou Alíquotas de ICMS diferentes, ou até mesmo NVE´s diferentes serão alocadas em adições separadas, mesmo que contenham a mesma NCM. 


DICA!

Sendo assim, dá para planejar qual o gasto total da Taxa Siscomex que será cobrado no momento do registro da DI. E digo mais, é possível agrupar mercadorias e consolidar cargas para embarque na importação de acordo com estas regras.

Claro que este impacto da Taxa Siscomex é mais significativo quando falamos de grandes volumes de importação, mas toda possível redução de custos é bem-vinda, e este é um custo pouco explorado no momento do planejamento da importação.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

Finalizo aqui esta PARTE 2 do post de hoje. 

Eram estas dicas e comentários que eu queria deixar registrados aqui no Blog através dos posts PARTE 1 e PARTE 2.

Como o Blog tem o intuito de divulgar as boas práticas da área de importação, vocês puderam notar que é possível reduzir alguns custos e evitar outros apenas tendo conhecimento das regras do comércio exterior e do processo de importação.

Não caiam em “pegadinhas” muito comuns na internet como: “Aprenda a Importar Sem Custos” ou “Como importar sem pagar impostos nem taxas para revender no Brasil, porque, como podem ver através dos posts do Blog, a importação é uma operação onerosa, uma vez que o Brasil possui diversas barreiras alfandegárias e não-alfandegárias, então importar sem custos é uma inverdade, e muitas vezes, estes que vendem esta ideia de facilidade, se utilizam de artifícios ilegais através de meios não confiáveis, e assim acabam na realidade trazendo mais custos do que economia para o importador.

Sempre que tiverem dúvidas consultem as normas ou profissionais idôneos.

Abraços e até a próxima!


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

É POSSÍVEL REDUZIR ALGUNS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO - PARTE 1


Em tempos difíceis para a importação, como o que atualmente estamos passando, é necessário prestar atenção em detalhes para poder reduzir ao máximo os custos e despesas oriundos da operação de importação

Mas você conhece bem os seus custos de importação?

Sabe como evitar alguns custos e minimizar outros?

Sabe que é possível prever as taxas de câmbio para registro da DI?

Que é possível planejar os valores da taxa de utilização do SISCOMEX? 

No post de hoje, vou abordar alguns pontos importantes da importação com relação a custos e despesas, e dar algumas dicas para reduzi-los ou até mesmo evitá-los.

Para ficar fácil de entender em que momento da importação devemos mais prestar atenção, criei a figura abaixo que demonstra o trajeto de uma importação

Na sequência, poderão acompanhar as informações de acordo com os números indicados na figura.




NEGOCIAÇÃO INTERNACIONAL


Esta é a fase inicial da importação, onde ocorre a negociação dos valores da mercadoria entre o vendedor (exportador) e o comprador (importador) e das responsabilidades perante o embarque (INCOTERMS).

Há diversos custos que devem ser estudados e analisados nesta fase antes de fechar o negócio. 

Vejam algumas observações importantes:

PAGAMENTO AO EXPORTADOR – VIA CORRETORA DE CÂMBIO OU BANCO?

Se você já tem a Fatura Comercial assinada e agora precisa efetuar o pagamento ao exportador, sabe como proceder?

A forma mais comum de enviar o pagamento ao exportador é via Contrato de Câmbio. 

Vejam o que diz o Banco Central a esse respeito:


Contrato de câmbio é o instrumento específico firmado entre o vendedor e o comprador de moeda estrangeira, no qual são estabelecidas as características e as condições sob as quais se realiza a operação de câmbio.



Mas Carol, como eu faço isso na prática?

Você deverá procurar o setor de câmbio do seu Banco ou Corretoras de Câmbio.

Eles irão fazer a transferência dos valores e lhe emitirão o documento Contrato de Câmbio.

É nesta fase que você deve prestar a atenção e fazer uma análise comparativa das taxas que cada instituição (Banco e Corretoras) estão operando (cobrando) para fazer a transferência dos valores, a fim de verificar qual é a mais vantajosa. 

Sempre compare!

As taxas, geralmente, são as mesmas em ambas instituições, a diferença é com relação ao valor cobrado por estas. 

Compare as taxas que incidem na operação, como:

• Taxa de Transferência - É uma taxa fixa cobrada pela instituição para realizar a operação. É cobrada por operação e não por importação. 

• Spread do Dólar: É o lucro do Banco ou da Corretora.

“Existe o preço de mercado do dólar e o preço que a instituição está cobrando pelo dólar pra você, essa diferença do preço de mercado entre o preço que você paga é chamada de Spread.”
Fonte: http://viverdedividendos.org/melhores-taxas-para-remessa-internacional-de-dinheiro/

• IOF: Por se tratar de um imposto federal, será cobrado independentemente da instituição, Banco ou Corretora, e o valor é fixado em 0,38% sobre o valor a ser transferido.


É possível realizar esta transação, de pagamento ao exportador, pela internet com alguns Bancos, e com as Corretoras, não é preciso levar o dinheiro em mãos, as Corretoras trabalham com alguns bancos e você pode fazer transferência on line da sua conta para a conta da Corretora.

 

Utilize a tabela abaixo para fazer suas comparações!

TAXAS / INSTITUIÇÕES
BANCO
CORRETORA
Taxa de Transferência


Spread do Dólar


IOF


Valor Total Transferência c/ as Taxas
R$
R$



INCOTERM – QUAL O MELHOR INCOTERM PARA O IMPORTADOR?

O INCOTERM define diversas responsabilidades entre o importador e o exportador. Todas estas responsabilidades ensejam riscos que, a depender do INCOTERM, serão arcados pelo importador ou pelo exportador. 

Um custo expressivo e que seu pagamento é determinado pelo INCOTERM é o do FRETE INTERNACIONAL.

Antes de determinar o Incoterm na negociação você pode solicitar ao seu exportador que ele faça uma cotação de frete internacional com os agentes de carga dele. E, para fazer uma comparação, você pode cotar o mesmo frete com agentes de carga no Brasil.

Assim é possível comparar qual o frete é mais vantajoso, e decidir então pelo INCOTERM. (Não deixem de ler essa postagem aqui, deve-se avaliar também os custos de armazenagem quando o embarque for marítimo).


• Incoterms: EXW, FCA, FAS, FOB – O frete internacional é por conta do importador, denominado FRETE COLLECT (a cobrar do importador).

Ou seja, poderá o importador optar por um destes Incoterms na negociação quando o frete do agente de carga brasileiro for mais em conta, uma vez que a responsabilidade da contratação e pagamento do frete é por conta do importador.

• Incoterms: CFR, CPT, CIP, CIF, DDU, DDP e DAT – O frete internacional é por conta do exportador, denominado FRETE PREPAID (Pre-pago pelo exportador).

Ou seja, poderá o importador optar por um destes Incoterms na negociação quando o frete do agente estrangeiro for mais em conta, uma vez que a responsabilidade da contratação e pagamento do frete é por conta do exportador.

Utilize a tabela abaixo para fazer suas comparações!

INCOTERM / FRETE
COLLECT
PREPAID
EXW, FCA, FAZ, FOB
X

CFR, CPT, CIP, CIF, DDU, DDP e DAT

X
VALOR DO FRETE
USD
USD



 FRETE INTERNACIONAL 



CONTRATAÇÃO DO FRETE – PREPAID x COLLECT?

Como já discorremos acima sobre a relação dos incoterms com o frete, aqui vamos nos concentrar na forma de pagamento do frete.

Há despesas inseridas no momento do pagamento de um frete collect e de um frete prepaid que devem ser consideradas antes de optar apenas pelo frete mais barato. 

- FRETE COLLECT: O pagamento deste frete é efetuado, geralmente, na chegada da carga no Brasil, no momento da retirada dos documentos originais junto ao agente de carga.

É importante verificar se o agente de carga acrescenta alguma porcentagem em cima da taxa de conversão do dólar no momento do pagamento do frete, e caso afirmativo, vale tentar negociá-la.

- FRETE PREPAID: O pagamento deste frete é efetuado, geralmente, através da Fatura Comercial. Não é porque o frete é pre-pago pelo exportador que o importador não precisará pagar...na importação nada é de graça!

Neste caso, o valor da mercadoria e o frete devem ser destacados na Fatura Comercial. O pagamento do frete+mercadoria, geralmente, é efetuado via contrato de câmbio. É importante verificar as taxas de fechamento de câmbio conforme mencionei no item 1 deste post. E também vale tentar negociá-las.

Utilize a tabela abaixo para fazer suas comparações!

MEIO DE PAGAMENTO / FRETE
COLLECT
PREPAID
VALOR DO FRETE
USD
USD
VALOR DO FRETE 
EM REAIS COM TAXAS
VIA AGENTE DE CARGA:
R$
VIA FATURA COMERCIAL:
R$



ANTES DA CHEGADA DA CARGA – REMOVER OU NÃO REMOVER, EIS A QUESTÃO!

Muitos importadores para escaparem das abusivas cobranças de armazenagem dos Terminais Portuários, decidem por fazer a REMOÇÃO (Trânsito Aduaneiro) da carga para um porto seco e lá efetuar o despacho aduaneiro.

Pensando apenas nos embarques marítimos de grande volumes, há de se considerar esta opção como viável. Mas, e para os embarques aéreos vale a pena? E para os pequenos volumes marítimos também?

Vejam pontos a se considerar para uma possível remoção de carga da zona primária (Porto ou Aeroporto) para uma zona secundária (Porto Seco):

• PORTO SECO: Verifique os valores e condições que o Porto Seco irá lhe oferecer para armazenar a carga. Tente fazer uma negociação prévia.

• TRANSPORTADORA HABILITADA: Para fazer este tipo de transporte a transportadora deve estar habilitada junto à Receita Federal. Não é qualquer transportadora que pode fazer esta operação de Trânsito Aduaneiro. A remoção segue algumas normas estabelecidas pelo Regime de Trânsito Aduaneiro. Importante é fazer uma cotação com uma transportadora habilitada para conhecer os custos envolvidos.

• DESPESAS DE MANUSEIO: Todo terminal de zona primária que recebe cargas de importação cobrará despesas de manuseio da carga, mesmo que as cargas já tenham a remoção previamente determinada.

Neste ponto deve-se levar em conta qual o custo de manuseio que o armazém cobrará para disponibilizar a carga para remoção. 

• PERÍODO DE ARMAZENAGEM: Deve-se verificar e comparar qual o período de armazenagem em dias disponibilizado pelo Armazém da zona primária e pelo Porto Seco da zona secundária.

• TRANSPORTE RODOVIÁRIO: Verificar o custo do transporte rodoviário para transportar a mercadoria, já nacionalizada, do Armazém da zona primária até a planta do importador. O mesmo deve ser feito para o transporte do Porto Seco até a planta do importador, lembrando que, geralmente, se dá preferência a um Porto Seco quando localizado mais próximo do importador, mas há casos que não se encaixam nesta situação, por isso deve-se fazer essa análise.

Utilize a tabela abaixo para fazer suas comparações!

REGIME / ZONA
PRIMÁRIA
SECUNDÁRIA
DESPESA DE MANUSEIO

                      X
REMOÇÃO PARA PORTO SECO
X

ARMAZENAGEM


PERÍODO COBRADO DE ARMAZENAGEM (DIAS)


TRANSPORTE RODOVIÁRIO – MERCADORIA NACIONALIZADA


TOTAL
R$
R$


Finalizo aqui a PARTE 1.

Pessoal, vou dividir este post em 2 partes para não ficar muito extenso e cansativo.

Na semana que vem, publicarei a PARTE 2 com o restante das informações e com as minhas considerações finais.

Abraços, e até semana que vem!