sexta-feira, 27 de junho de 2014

E O MISTERIOSO MUNDO DO COMÉRCIO EXTERIOR...


O dia a dia de quem atua na área de comércio exterior é muito dinâmico. E na importação eu ainda acrescentaria que existe uma “carga pesada” chamada prazo

No momento que a mercadoria chega ao Brasil podemos dar o start no cronômetro.

Vejam só alguns dos prazos:

1) Prazo que a mercadoria pode ficar armazenada no recinto alfandegado antes de ser considerada abandonada;
2) Prazo para vincular a Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA), nos casos de remoção;
3) Prazo de validade da Licença de Importação;
4) Prazo para pagamento do ICMS;
5) Prazo para cumprimento de exigências fiscais;
6) Prazo para pagamento da armazenagem;
7) Prazo para retirar a mercadoria do armazém após liberada;
8) Prazo para entrega da mercadoria no importador;

E assim continua...

Fiz questão de falar sobre este assunto antes de dar início ao nosso post de hoje, para que possam entender quão dinâmica e rápida é a rotina de importação por conta destes prazos a cumprir. Por isso que no dia a dia acaba-se usando muitos jargões e siglas para agilizar as conversas.

Mas para quem não é da área, ou está começando, pode soar estranho algumas palavras, e assim gerar confusão.

Para esclarecer, vou ilustrar uma pequena história cotidiana, e na sequencia vou explicá-la.

Então vamos lá.



SITUAÇÃO: EMBARQUE DA MERCADORIA VIA AÉREA




*Bia = Agente de Carga
*Carol = Representante do Importador



Parece uma conversa um pouco confusa... mas abaixo vocês verão que faz sentido.


Eu, Carol, como representante do importador, liguei para o agente de carga (Bia), para saber se já haviam efetuado a COLETA da mercadoria no exportador da minha cliente. No caso a minha cliente é a empresa importadora aqui do Brasil, e o exportador é uma empresa nos Estados Unidos.


A Bia me confirmou a coleta, e disse que a mercadoria já estava no ARMAZÉM em Miami. Ou seja, a mercadoria foi coletada no exportador e transportada até o armazém do agente de carga em Miami para que pudesse ser pesada e reembalada (caso necessário). 


Depois que a Bia coletou a mercadoria e a levou para seu armazém, ela providenciou a RESERVA com a Companhia Aérea.  O agente de carga faz uma reserva com uma Companhia Aérea para assegurar um espaço para a mercadoria dentro da aeronave, essa reserva é chamada de BOOKING, e tem data e voo marcados. Após esse procedimento, é possível emitir o conhecimento aéreo da mercadoria, e transportá-la até o aeroporto de embarque.


Com o BOOKING efetuado, já era possível saber a PREVISÃO DE CHEGADA da mercadoria no aeroporto, que chamamos de ETA, que é uma sigla em inglês e significa ESTIMATED TIME OF ARRIVAL, que traduzindo ao pé da letra seria HORA ESTIMADA DE CHEGADA.


A mercadoria estava prevista para chegar “depois de amanhã” em GRU. O local de chegada da mercadoria é GRU, que é a sigla (IATA) para o Aeroporto de Guarulhos.



Eu solicitei à Bia o TRATAMENTO DE CARGA TC-4 porque a empresa importadora efetua o desembaraço aduaneiro de suas cargas em zona secundária. Por isso, toda mercadoria desta importadora que chega no aeroporto ou no porto (zona primária) é removida até o Porto Seco (zona secundária).  

Por ter que receber este tratamento diferenciado, o agente de carga deve informar à Companhia Aérea que a mercadoria prevista em tal voo deverá receber tratamento TC-4. Podem ver um pouco mais a respeito deste tratamento neste post aqui.

Vejam a definição do TC4: “Carga Pátio - Carga Trânsito Nacional Imediato. Remoção Porto Seco: trânsito de zona primária para zona secundária; não sofre armazenamento no Sistema Mantra”.




Assim finaliza a minha conversa com o agente de carga, e já posso comunicar à minha cliente as informações que recebi:

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“Prezada Cliente,

Sua mercadoria já foi coletada no exportador e transportada até o armazém em Miami para pesagem e reembalagem. 

Já tem reserva para o voo X com chegada prevista dia Y no Aeroporto de Guarulhos em SP. 

Assim que a mercadoria chegar no Aeroporto de Guarulhos será iniciada a remoção para o Porto Seco.

Qualquer novidade lhe comunico.

Grata, 

Carolina.”
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Fim da história e fim do post de hoje! Até o próximo!


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