domingo, 4 de maio de 2014

O CAMINHO DE UMA CARGA DE IMPORTAÇÃO NO TECA - PARTE 1



Quando uma carga de importação chega no aeroporto ela é movimentada para o Terminal de Cargas - TECA. O TECA é um grande armazém de cargas, tanto de importação como de exportação.

Dentro do TECA existem locais específicos para cada tipo de carga; mercadoria que precisa de refrigeração, fica na câmara fria; material de alto valor agregado, fica no cofre; material perigoso, fica em uma área mais isolada, etc.

Na foto acima é possível ver o TECA de Viracopos em Campinas.



Algumas horas antes da chegada do avião no Brasil é informado pela Companhia Aérea o peso total do voo, e se este contém cargas especiais que necessitam de uma atenção como perecíveis, vivos, perigosos, etc.

A Companhia Aérea comunica estas informações à Concessionária/INFRAERO, e também insere no sistema Mantra a previsão de chegada do voo.




 O Mantra faz parte do SISCOMEX. Na figura ao lado está a tela principal do SISCOMEX. A 4° opção é o Mantra. Atualmente é possível acessar o Mantra via web pelo site da Receita Federal.

O Mantra tem como função o acompanhamento das cargas de importação e de exportação. Nele é possível ver a previsão de chegada do voo, e todos os detalhes da carga.










Após o pouso do avião, a Companhia Aérea entra novamente no sistema Mantra e confirma a data e hora de chegada do avião. A Companhia Aérea neste momento também disponibiliza o Manifesto de Carga. O Manifesto de Carga é o documento onde constam todos os conhecimentos aéreos que embarcaram no voo. O conhecimento aéreo é um documento que:

 "...define a contratação da operação de transporte internacional, comprova o recebimento da mercadoria na origem e a obrigação de entregá-la no lugar de destino, constitui prova de posse ou propriedade da mercadoria e é um documento que ampara a mercadoria e descreve a operação de transporte." (Fonte: Receita Federal do Brasil)

Através destes documentos, e do registro das informações no sistema Mantra, que a Receita Federal lavra (executa) o Termo de Entrada. O Termo de Entrada nada mais é do que o documento que comprova a chegada da carga no recinto alfandegado sob a jurisdição da URF (Unidade da Receita Federal) de despacho. 



Há 3 tipos de conhecimentos aéreos: AWB; MAWB; HAWB.

AWB: Air Waybill (Conhecimento de Transporte de Carga Aérea) é emitido pela própria Companhia Aérea diretamente para o exportador, abriga uma determinada mercadoria, embarcada individualmente.

MAWB: Master Air Waybill é o conhecimento aéreo emitido pela Companhia Aérea ao Agente de Carga. O agente de carga "compra um grande espaço" no avião (MAWB) e pode fracioná-lo em espaços menores, para vende-los separadamente (HAWB).

HAWB: House Air Waybill é o conhecimento aéreo emitido pelo agente de carga ao importador/exportador da mercadoria. Esse HAWB chamamos de "Filho", sendo que o MAWB é considerado a "Mãe".



 
Após serem inseridas as informações no sistema Mantra e lavrado o Termo de Entrada, é dado início ao descarregamento do avião.

O descarregamento é efetuado diretamente pelos transportadores aéreos ou por empresas contratadas pelas Companhias Aéreas para esta finalidade. O descarregamento é feito com equipamentos específicos, como pode ser visualizado na figura acima.


Da pista a carga deverá seguir para o armazém (Terminal de Carga - TECA). Este local, de troca de responsabilidades é chamado de Ponto Zero. Pois a carga passa das "mãos" da Companhia Aérea para a Concessionária/INFRAERO.

Neste local a Concessionária/INFRAERO recebe as cargas e emite um código de barras para que seja possível o controle destas dentro do armazém. 

Antes de serem armazenadas, é verificada a quantidade de volumes, peso, embalagem, natureza e tratamento de cada carga. Essas informações físicas são confrontadas com as informações documentais (conhecimentos aéreos).

Caso tenham divergências entre a carga física e os seus documentos, são geradas as famosas INDISPONIBILIDADES. Existe um código para cada indisponibilidade gerada, estas informações irão constar no sistema Mantra.


As cargas de importação podem receber tratamentos diferenciados. O tipo de tratamento está ligado a finalidade da carga. Vejam a tabela acima.

Por exemplo, uma carga que deverá ser removida para um Porto Seco, ou seja, para zona secundária, receberá o tratamento TC4. Neste caso, esta carga é direcionada para o Pátio, e não será armazenada, porque será removida dentro de 24 horas para uma zona secundária.

Além de peso e valor da mercadoria, o tipo de tratamento também irá influenciar no valor de armazenagem/capatazia que será pago pelo importador.

A maioria das cargas de importação que serão desembaraçadas no próprio aeroporto recebem tratamento TC6


Na verificação física da carga são identificadas as possíveis avarias. Estas avarias são identificadas através de letras, conforme a tabela acima. 
Caso a carga tenha alguma avaria da lista acima, estas avarias irão constar no sistema Mantra.





Resumindo, as informações são prestadas pela Companhia Aérea, depois verificadas e registradas pela Concessionária/INFRAERO, que encerra o recebimento e finaliza o armazenamento da carga.

Posteriormente, as informações são avalizadas pela Companhia Aérea, e finalmente são visadas (emitidos os vistos) pelo Auditor da Receita Federal no sistema Mantra.

Todas estas etapas, são referentes a atracação da carga, e podem ser visualizadas no sistema Mantra. 




Depois de efetuadas todas as etapas de atracação, as cargas são direcionadas para os seus respectivos "endereços" que o sistema gerou. Neste momento, as cargas já estão à disposição dos consignatários para darem início ao despacho aduaneiro. E já é possível efetuar o registro da D.I. (Declaração de Importação).



Após o desembaraço aduaneiro da carga no aeroporto, o importador ou seu representante legal, deverá entregar à Concessionária/INFRAERO a documentação da importação para que seja possível a liberação física da carga. A Concessionária/INFRAERO confere a documentação, e estando ok, autoriza a liberação física da carga.

É neste momento que é efetuado o PUXE da carga. Este procedimento de PUXE é a solicitação de desarmazenamento da carga, seja para liberação desta, ou até mesmo para uma vistoria.

Como o armazém é muito grande, e o volume de cargas também, na prática, se for solicitado o PUXE da carga pela manhã, na parte da tarde é que a carga estará na liberação (área em que a Concessionária/INFRAERO deixa a carga que já foi "puxada").

Da área de liberação as transportadoras levam as cargas para a Plataforma, que é o local onde os veículos aguardam as cargas e efetuam o carregamento.

A foto acima mostra os veículos efetuando o carregamento na plataforma do aeroporto de Viracopos em Campinas.



Esta é a PARTE 1 do caminho que é percorrido fisicamente por uma carga de importação quando chega no Terminal de Cargas - TECA.

A PARTE 2, que disponibilizarei na sequência, diz respeito ao caminho virtual que a carga percorre, via sistema Mantra.



11 comentários:

  1. Carolina, boa tarde!

    Resolvi compartilhar os importantes materiais que você publicou em duas etapas, através do link http://valdirribeiro.com.br/o-caminho-de-uma-carga-de-importacao-no-teca .

    Espero que não se importe, mas se tiver algum problema/empecilho, por favor me avise. Boa sorte e sucesso!

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    1. Olá Valdir,

      Obrigada por avisar. Sem problemas, a intenção é compartilhar o conhecimento mesmo.

      Abraços!

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  2. Muito obrigado, Carolina.

    A postagem já teve de ontem para hoje mais de 400 visualizações no Linkedin!

    Parabéns!

    Gostaria de lhe perguntar se você sabe se o registro policial de sumiço de um ou mais volumes na área de coleta/plataforma por parte do transportador rodoviário é o suficiente, já que a INFRAERO habitualmente diz que colocou a carga à disposição para ser recolhida, procurando com isso isentar-se de qualquer responsabilidade a respeito.

    Pode ocorrer de um transportador recolher a carga de outro por engano... ou não.

    Atendi vários casos de sinistro dessa natureza e a idéia que ficou é de que a plataforma é uma área cinzenta ou buraco negro... Grato e um forte abraço!

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    1. Olá Valdir!

      Esse tipo de situação não é inédita, já presenciei alguns casos. Felizmente, nos meus casos, localizaram a carga depois de um tempo de procura.

      O que eu posso dizer é que este local onde a INFRAERO, ou a respectiva concessionária, disponibiliza os volumes à transportadora, em alguns aeroportos, é um pouco confuso (ou um buraco negro, gostei do termo! rs).

      As grandes transportadoras até têm locais (docas) específicos, mas as menores, não. Então se juntam muitas cargas liberadas para carregamento, o que gera um pouco de desordem, por isso a figura do “conferente” da transportadora é importante, para poder fazer a separação de suas respectivas cargas.

      Eu entendo (minha opinião) que vale a pena sim documentar este fato, uma vez que se for necessário entrar na justiça para reaver algum direito, terá documento comprovando que a mercadoria foi extraviada nas dependências do Terminal de Cargas do Aeroporto.

      Abraços!

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  3. Boa noite!

    Prezados, material ótimo, trabalho em um agente de carga e estou buscando uma vaga na importação aérea, mas não querem me dar espaço, queria que caso pudessem me ajudar enviando e-mails de toda a cadeia operacional na relação do agente de carga na importação.

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  4. Boa tarde, existe alguma planilha "mágica" onde eu possa preencher os valores de frete + valor do produto e consigo ao menos simular meu custo com importação?

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    1. Boa tarde Thiago!

      Infelizmente não..kkk. Na importação como Remessa Expressa, sem fins comerciais até teria. Mas na importação formal (com fins comerciais) não lhe recomendaria fazer através de uma planilha, pois existem muitas variáveis que irão impactar no custo do produto.

      É possível fazer simulações estimadas. Caso tenha interesse entre em contato através do e-mail carolina@assessoriacomex.com.br.


      Abraços!

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  5. Boa tarte,
    Procuro emprego.
    Jorge Carlos da Silva Monteiro
    Tel:(21)22834417 / 994168500
    Nascido 10/07/1950
    Brasileiro - RJ
    Escolaridade:2 Grau completo
    Trabalhei:
    Asa Assessoramento despacho Aduaneiro
    Gerente Operação
    De:Agosto 1977 a Janeiro 1982
    MS Transportes Integrados
    Gerente Comercial
    De:Fevereiro 1982 a Maio 1994
    Jfive stars agenciamento de Importação e Exportação
    Gerente Geral
    De:Junho 1994 a Julho 1997
    Twenty five stars agenciamento de Importação e Exportação
    Gerente Geral
    De: julho 1997 a Maio 2017
    Atuei nas seguintes Segmentos:
    Petróleo: Chevron do Brasil-Sermar servicos marítimos-Esso Prospecção etc...
    Cosméticos: Vela - Belfan
    Aviação: United Aier Line-Delta Aier Line
    Contato com cliente
    Contato com os Agentes de Carga
    Contato Despachante Aduaneiro
    Contratação de Frete Aéreo Marítimo e Rodoviário
    Fechamento de Cambio-Classificação Fiscal
    Coordenador RE-DSE-LI-DI-DSI-Liberação de Mercadoria-Bagagem Etc...
    Obs:
    Tenho noções de carga consolidada
    Livre para Viagem.

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  6. Boa noite? Eu tenho um produto que comprei na China esta com mais de 70 dias.
    faz 15 dias que esta parado o Rastreio com a seguinte informação -ASSINADO PARA MAWB 2017-10-24 16:34:00
    O que significa essa frase?

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